O contexto
O Instituto de Gestão Previdenciária e Proteção Social do Estado do Pará já vinha conduzindo uma jornada de transformação digital de seus sistemas e serviços.
Dentro da Procuradoria Jurídica, porém, a Coordenadoria de Execução enfrentava um desafio de outra natureza: valores pagos indevidamente precisavam ser identificados, analisados e cobrados antes de perderem a possibilidade de recuperação por prescrição.
Óbitos não comunicados, mudanças na condição dos beneficiários e outras ocorrências podiam gerar pagamentos que posteriormente precisavam ser recuperados.
O processo era predominantemente manual e reativo. Não havia uma visão estruturada da carteira de cobrança, casos viáveis e inviáveis chegavam à mesma fila e parte relevante da energia da equipe jurídica era consumida em tarefas repetitivas antes que o trabalho jurídico propriamente dito começasse. Quanto mais a análise de cada processo demorava, maior o risco de a recuperação prescrever.
Antes da IA, foi preciso entender o processo
A primeira decisão não foi escolher um modelo de linguagem.
Foi entender como a recuperação de crédito realmente acontecia.
A Vibe e o IGEPPS aplicaram Lean Thinking como filosofia de melhoria e utilizaram o Value Stream Mapping (VSM) como ferramenta para enxergar a recuperação de crédito como um fluxo de valor de ponta a ponta.
O objetivo era tornar visível o que antes estava distribuído entre áreas, documentos, sistemas e decisões individuais.
O mapeamento ajudou a identificar:
- onde o tempo era perdido;
- onde a informação desaparecia;
- onde havia retrabalho;
- onde a decisão travava;
- quais etapas dependiam de dados incompletos;
- quais atividades realmente exigiam análise jurídica;
- e onde a tecnologia poderia, de fato, gerar valor.
O trabalho revelou também que alguns dos principais gargalos estavam antes da análise jurídica: localização do devedor, qualidade dos dados, ausência de critérios compartilhados de prioridade e triagem manual.
A partir desse diagnóstico, o processo pôde ser redesenhado antes de qualquer tentativa de automação em escala.
A lógica foi: mapear, entender, redesenhar, testar. E só então automatizar.
Antes da solução definitiva, a equipe testou a hipótese de que organizar o fluxo e apoiar a análise poderia aumentar a capacidade de recuperação. O MVP confirmou a direção, mas também revelou algo mais importante: tecnologia sozinha não resolveria o problema.
A solução precisava combinar três elementos: processo redesenhado, dados mais qualificados e suporte inteligente à decisão. Foi essa aprendizagem que definiu o Recuper.AI.
O Recuper.AI
O Recuper.AI é um assistente virtual utilizado pela equipe jurídica do IGEPPS para apoiar a análise dos processos de recuperação de crédito.
A solução recebe documentos do processo, extrai informações relevantes, identifica dados relacionados à dívida, localiza dispositivos legais aplicáveis e produz justificativas estruturadas que apoiam a elaboração das cartas de cobrança.
A IA não substitui a decisão jurídica.
Ela reduz o trabalho repetitivo que acontece antes dessa decisão, organizando informações, verificando critérios e dando à equipe uma visão mais clara dos casos que merecem atenção.
Com isso, o jurídico deixa de funcionar como executor de checklist e passa a dedicar mais tempo ao trabalho que exige interpretação, decisão e estratégia.
Da fila indiferenciada para uma carteira gerenciável
A mudança mais importante não foi apenas acelerar uma atividade.
Foi transformar a recuperação de crédito em uma operação que pode ser observada e gerida.
Antes, a triagem era manual, os processos chegavam com diferentes níveis de informação e não havia um critério único de priorização.
Com o novo fluxo, a análise passou a ser assistida, as informações podem ser estruturadas de forma mais consistente e a fila pode considerar critérios como viabilidade, prazo e contexto do processo.
A implantação do novo fluxo mudou a forma como a recuperação de crédito passou a ser conduzida no IGEPPS. A carteira de cobrança passou a ser acompanhada de forma mais estruturada, com critérios mais claros para análise e priorização dos casos, ampliando a visibilidade sobre o fluxo e apoiando uma gestão mais proativa.
O Recuper.AI reduziu atividades repetitivas de triagem e organização documental, permitindo que a equipe jurídica concentrasse mais tempo nas situações que exigem interpretação, decisão e estratégia.
A solução também ampliou a capacidade de análise do processo, aumentou a rastreabilidade das informações e reduziu o risco de que oportunidades de recuperação fossem perdidas por demora ou falta de visibilidade.
Mais importante do que automatizar uma tarefa, o projeto transformou a recuperação de crédito em um processo que pode ser observado, acompanhado e continuamente melhorado.
IA em produção, com arquitetura corporativa
O Recuper.AI precisava entrar em produção sem esperar pela próxima modernização completa da infraestrutura do Instituto.
O ambiente Red Hat OpenShift que já existia no IGEPPS atendia aos sistemas do órgão, mas não possuía capacidade de GPU adequada para as novas cargas de IA.
Esperar um novo ciclo de infraestrutura atrasaria a jornada.
Vibe e Red Hat desenharam então uma arquitetura híbrida, capaz de entregar valor no curto prazo sem abandonar a estratégia tecnológica de longo prazo do IGEPPS.
A solução utiliza:
- Red Hat OpenShift dedicado a workloads de IA;
- infraestrutura em nuvem com GPU;
- Red Hat AI;
- Red Hat AI Inference Server;
- modelo Qwen servido via vLLM;
- Docling para leitura e extração de conteúdo de documentos digitalizados;
- aplicação estruturada em componentes especializados para diferentes etapas do processo;
- Redis para gestão de estado;
- frontend em React e camada de serviços.
A arquitetura permite evoluir a capacidade de IA sem criar uma solução isolada do ecossistema corporativo do Instituto.
Dados sensíveis permanecem sob controle
Em uma aplicação que trabalha com documentos jurídicos e informações previdenciárias, desempenho não era suficiente.
A arquitetura precisava garantir governança, rastreabilidade e controle sobre os dados processados.
O Recuper.AI foi desenhado para que a instituição mantenha controle sobre a infraestrutura e sobre a forma como os modelos são servidos, mantendo a IA dentro de uma plataforma corporativa governada e alinhada ao ecossistema tecnológico do IGEPPS.
Antes de entrar em produção, a solução passou por dois níveis de validação institucional:
- a área de negócio validou a aderência ao processo;
- a área de tecnologia validou arquitetura, plataforma e integração com o ambiente institucional.
A decisão final continua humana.
Construído junto com quem conhece o problema
O projeto foi conduzido com a equipe da Vibe trabalhando diretamente com as áreas finalísticas do IGEPPS em Belém.
Essa proximidade reduziu o intervalo entre descoberta, protótipo, validação e evolução do produto.
O modelo de trabalho partiu de uma premissa simples:
quem conhece profundamente o processo não precisa aprender a construir software; quem constrói a tecnologia precisa aprender a escutar quem vive o processo.
O Recuper.AI nasceu desse encontro.
A primeira IA em produção abriu a porta para as próximas
O Recuper.AI tornou-se a primeira aplicação de Inteligência Artificial em produção no IGEPPS, mas o efeito do projeto foi além da recuperação de crédito.
Outras áreas do Instituto passaram a avaliar processos que também poderiam ser apoiados por IA.
Ao mesmo tempo, a modernização da infraestrutura e a expansão da capacidade institucional de Inteligência Artificial passaram a integrar a evolução tecnológica do órgão.
A discussão deixa de ser sobre uma aplicação isolada e passa a ser sobre uma capacidade institucional de IA.
Um case apresentado nacionalmente
O case do Recuper.AI, desenvolvido com o IGEPPS, foi 1º lugar na categoria Equipes da Premiação Impacto Brasil 2026, do Agile Trends, com a Vibe Tecnologia como parceira.
O projeto passou a ser apresentado como referência de aplicação de Inteligência Artificial no setor público.
O case foi apresentado no Red Hat Gov Forum, em Brasília, em uma sessão com participação do IGEPPS e curadoria da Red Hat.
Depois, Vibe Tecnologia e IGEPPS apresentaram juntos o Recuper.AI no Agile Trends Gov 2026, em Brasília, mostrando não apenas a tecnologia construída, mas principalmente a transformação do processo que tornou sua aplicação possível.
A experiência também recebeu cobertura institucional do Governo do Estado do Pará.
Próximos passos: do assistente ao copiloto de recuperação
O Recuper.AI começou apoiando a análise jurídica e a estruturação dos processos de cobrança.
A próxima etapa amplia essa atuação.
A visão é evoluir a solução para um copiloto da área gestora de recuperação de crédito, conectando dados, critérios institucionais, análise inteligente e acompanhamento operacional em um único fluxo.
Entrada e consolidação automática dos dados
A solução passa a reunir informações hoje distribuídas entre diferentes fontes e sistemas, reduzindo consultas manuais e fragmentadas.
O objetivo é consolidar evidências e dados necessários ao processo em uma única jornada operacional.
Motor inteligente de análise e viabilidade
Documentos e evidências passam a ser lidos e cruzados automaticamente.
O motor de IA pode apoiar a classificação dos casos em categorias como:
- viável;
- viável com ressalvas;
- pendente de complemento;
- inviável.
A decisão final permanece com o técnico responsável, que pode aprovar, ajustar ou solicitar complementação.
Apoio à execução da cobrança
Além da análise, a plataforma evolui para apoiar etapas posteriores do fluxo, como:
- notificação;
- tratamento de recurso;
- implantação de rubrica;
- acompanhamento operacional.
O Recuper.AI deixa de apoiar apenas um ponto da jornada e passa a contribuir com o fluxo de recuperação como um todo.
Gestão e monitoramento da carteira
A evolução prevê também uma camada de gestão com dashboards e indicadores para dar visibilidade contínua sobre:
- andamento dos casos;
- gargalos do processo;
- produtividade;
- qualidade das informações;
- evolução da recuperação.
O objetivo é sair de uma operação reativa para uma governança de recuperação orientada por dados.
O princípio continua o mesmo
Mesmo nessa evolução, a IA não toma a decisão no lugar do servidor.
Ela consolida evidências, aplica critérios, sugere caminhos e reduz trabalho repetitivo.
O parecer continua sugestivo.
A validação continua humana.
A tecnologia amplia a capacidade da equipe, não substitui sua responsabilidade.
Tecnologia como habilitadora. Não como protagonista.
O Recuper.AI não nasceu de uma pergunta como:
“Onde podemos usar inteligência artificial?”
Nasceu de uma pergunta mais importante:
“Onde o processo está perdendo valor, e o que precisa mudar para recuperá-lo?”
- 01Primeiro veio o Lean Thinking.
- 02Depois o VSM.
- 03Depois o redesenho do fluxo.
- 04Depois o MVP.
- 05Depois o dado mais estruturado.
- 06Só então veio a automação inteligente.
É assim que a Vibe entende Inteligência Artificial aplicada a processos críticos:
não como uma camada colocada sobre a desordem, mas como uma capacidade construída sobre um processo que já sabemos como melhorar.
IA Corporativa
Modelos, agentes, governança e operação de IA em ambiente corporativo.
Diagnóstico de processos críticos
Mapeamento do fluxo real antes da definição da tecnologia.
Tem um processo crítico que ainda depende de trabalho manual para funcionar?
A Vibe ajuda a entender o fluxo, redesenhar o processo e construir a tecnologia necessária para transformar operação em capacidade institucional.